A ODISSEIA
Um clássico que já passou por várias adaptações, várias releituras, vários conceitos. Aqui no Brasil esteve nos palcos sob a batuta de Caetano Vilela, Isabel Penoni e Joana Levi, Hamilton Vaz Pereira, Octavio Camargo, Cristiano Burlan... Para ficar em alguns... Nas telas, Georges Méliès já se aventurou, Mario Camerini na versão com Kir Douglas e Silvana Mangano, que é uma das mais elogiadas, Brad Pitt dividiu opiniões, Ralph Fiennes e Juliette Binoche não arrebataram... e até os irmãos Joel e Ethan Coen. Eis que agora chega uma versão com cara de definitiva, ao menos até que algum outro gênio consiga supera-la... A história do homem que passou 20 anos numa batalha com o outro e consigo mesmo para voltar pra casa... essa seria a premissa simplista desta epopeia escrita no século VII a.C. onde a trajetória de Odisseu e seus conflitos de volta pra casa nos é narrada em flashback. Nela a Guerra de Tróia, bruxas, monstros, confrontos no mar, a fúria dos deuses, batalhas mirabolantes e muita, muita filosofia em forma de pérolas compõem um roteiro bem construído em mãos de um elenco estrelar pouco visto junto... Uma jogada de mestre que, em meio a tantas (ou nenhuma) possibilidades poderia se tornar o grande equívoco do ano... Não será... É, até aqui, na minha humilde opinião, o maior dos acertos, um alento em meio à crise cinematográfica (Nolan já tinha feito isso com OPPENHEIMER), uma resposta de responsa ao streaming. O filme mais aguardado do ano faz muito mais que corresponder, ele extrapola e surpreende de maneira espetacular toda e qualquer expectativa, afinal possui a marca “Nolan” , que de longe já é garantia de produção acima, muito acima da média... Há muito que o Nolan já brinca com esse tema, há muito que essa história “da volta pra casa” já é vista e revista(não só por ele), mas não de maneira tão espetacular. Depois de seu arrasa quarteirão OPPENHEIMER (2024) faturar sete estatuetas do carequinha (vulgo OSCAR) mais desejado do cinema, dentre elas melhor direção e melhor filme, era de se esperar algo a altura. Decididamente o Nolan não padece da maldição da premiação que acomete algumas estrelas... contando com um elenco de primeira, onde TODAS as atuações encantam e emocionam, lançou mão de ousadas polêmicas (Uma helena de Tróia negra é uma delas...), inovou ao rodar a primeira película 100% em IMAX (600km de película, é mole??), locações de tirar o fôlego, efeitos especiais de primeiríssima linha e roteiro de precisão cirúrgica... Aqui nada é mais ou menos... Tudo na medida... Obviamente dividirá opiniões em certos aspectos, o que é saudável.. A unanimidade nunca é salutar...aqui, no entanto, as chances são mínimas de não agradar... Com um orçamento batendo os US$ 250 milhões (R$ 1,286 bilhão), A ODISSEIA mira o alto e entra no rol das apostas milionárias, dos mais ambiciosos dos projetos, uma ousadia para poucos, um alento para o cinema. Com um time de peso: Odisseu (Matt Damon, um assombro), Penélope(Anne Hathaway, no auge de seu potencial dramático), Telêmaco, seu filho (Tom Holland), Atena (Zendaya), Helena de Tróia e Clitemnestra (Lupita Nyong`o), Antínoo(Robert Pattinson, cada vez mais maduro e talentoso), Calypso (Charlize Theron)... Uma verdadeira constelação que bate um bolão com os demais coadjuvantes... Contando mais uma vez com a parceria de sucesso, Nolan apostou no talento do Oscar Ludwig Goransson que brilha com mais uma trilha sob medida. Entretenimento com doses generosas de filosofia em estado sublime, A ODISSEIA já nasce um clássico que deve ser visto em tela grande e nas salas IMAX.
A partir de 16 de julho nos cinemas.
Ficha Técnica:
Título : A ODISSEIA
Direção: Christopher Nolan
Roteiro: Christopher Nolan e Homer
Elenco: Matt Damon, Anne Hathaway, Tom Holland, Zendaya, Lupita Nyong´o, Robert Pattinson, Charlise Theron

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