quarta-feira, 29 de abril de 2026




O DIABO VESTE PRADA 2



Uma grata surpresa … Ao contrário do que muitos esperavam, tão conhecida que é a logística das continuações, O DIABO VESTE PRADA 2 surpreende! Uma grata surpresa em meio a tanto mais do mesmo, em se tratando de continuação então … A sábia direção de David Frankel aliada ao excelente roteiro (ancorado no quarteto central do elenco) nos encanta …

Passados 20 anos muita coisa mudou , inclusive no universo da moda … O roteiro se apropria muito bem dessa mudança e ainda que não se aprofunde de maneira radical, ao menos não faz pouco caso do nosso discernimento … aborda na medida certa e com o devido equilíbrio, atualizando a pegada a luz das mudanças ao longo destes 20 anos... Agora Andy volta a revista como uma espécie de salvadora da pátria, no entanto dando uma lição de humanidade … Sim, em meio a demissão após uma premiação no jornal onde agora trabalhava, ainda se preocupa com Miranda, relevando tudo que passou sob o comando da chefe cruel … mas nada que a tire do prumo … não há mágoa, rancor … troca de vaidades ou troco pelo sofrimento … Todos mudaram, inclusive a própria postura de Miranda, ainda que polida (em razão das porradas lhes proferidas pelo universo em sua lei cruel de retorno), reflete acerca de seu comportamento …

Um roteiro leve, diálogos cortantes, citações ironicamente inteligentes tornam seus personagens mais humanos e, ponto positivo, eles não se ancoram em situações vividas há 20 anos atrás … eles a resignificam e nos brindam com bons momentos de puro deleite. Há uma química espetacular entre o quarteto central do filme, eles batem um bolão em cena, sem exageros, sem caricaturas, apelos ou o que valha... Emily Blunt (vem ai em Odisseia do Nolan) e Athaway (poderosa em Dia D do Spielberg) estão incorrigíveis, Meryl Streep (sempre bem) dá um show a parte, inclusive na construção de um personagem resignificada em função das mudanças. Stanley Tucci é um pouco ofuscado e não evoluiu muito na construção do personagem, mas não faz feio. Se no primeiro filme a mídia impressa reinava, agora Miranda desliza os dedos num iPhone... a profusão de memes é espetacular ... A velocidade da mídia é absurdamente implacável... A diva Madonna agora cede espaço a Lady Gaga, Dua Lipa e Miley Cyrus... novos tempos. Como tudo agora fira em torno de polemicas...Elas vendem ingressos... O DIABO...2 não fugiu a elas, mas sobrevive nem um pouco chamuscado... Encanta e tem vida própria e venderá muitos ingressos. E não espantem se não vier logo, logo o 3... Assunto não vai faltar.



Nos cinemas a partir de 30 de abril



Ficha Técnica:

Título : O Diabo Veste Prada 2

Direção: David Frankel

Elenco: Anne Hathaway, Meryl Streep, Emily Blunt Stanley Tucci




terça-feira, 21 de abril de 2026


 



MICHAEL

As primeiras cenas do excelente MICHAEL nos mostram as passadas do gênio e sua voz... Talvez não intencionalmente essa cena nos mostra o que sintetiza em parte o legado que Michael Jackson nos deixou ou quem sabe, seu diferencial: Sua voz e sua dança, sua presença no palco, que vamos combinar, foi e continua sendo um assombro... Sem medo de errar: Um Michael não aprece todo o dia... E este, é e será ÚNICO!

Depois de muitas polemicas, muitos atrasos e sobretudo muitos acordos, eis que nos chega a cinebiografia do REI DO POP, aquele que chegou e mostrou a que veio desde a tenra infância, aos 5 anos de idade. Ponto fora da curva em todos os aspectos, Michael Jackson chegou fazendo barulho e se foi, deixando um doloroso silencio. O roteiro de MICHAEL nos mostra a trajetória do gênio desde a descoberta aos aproximados 5 anos de idade até o icônico lançamento de BAD, ou seja, um recorte de uma trajetória carregada de polêmicas, mas não menos iluminada e sonoramente espetacular! A excentricidade é uma daquelas características que nos custa caro, com Michael não foi diferente. A narrativa nos mostra claramente os abusos a que foi submetido pela ganância do pai que via no seu talento o futuro promissor da família, que é iniciado pela criação dos Jackson 5, grupo formado pelos cinco irmãos que já nasce brilhante, mas destacando Michael dos demais. Sua voz era a alma do grupo... É bonito de ver como a música lhe tomava de assalto e lhe contaminava o corpo inteiro... A emblemática cena das primeiras gravações em estúdio em função de seu comportamento é de uma singeleza franciscana, mas de um gigante simbolismo : Michael era todo música... Desde a infância. A cinebiografia centra seu foco na sua trajetória musical, evitando, com cuidado, a série de polêmicas que pontuaram sua trajetória...Estão lá a conturbada relação com o pai até seu rompimento oficial, a cumplicidade da mãe, a inusitada relação com seu segurança que, acaba por se tornar uma espécie de consultor em seus momentos críticos e a importância do John Branca na sua carreira... A criança que pulou da infância praticamente para a fase adulta e estrelada não poderia chegar incólume ao amadurecimento... Com roteiro do incensado John Logan, versátil dramaturgo e produtor americano que, nos brindou com O Gladiador, O Aviador, A Invenção de Hugo Cabret, 007 - Operação Skyfall e 007 Contra Spectre, para ficar em alguns, direção do Antoine Fuqua (Dia de Treinamento) a super produção foi caprichada, não veio para brincadeira, afinal o projeto conta na produção com alguns familiares e teve os direitos adquiridos, como anunciado em 2023 pela Universal com distribuição da Lionsgate e GK filmes (estão no time dos maiores). Hoje a Sony Music é a principal detentora (majoritária) dos direitos autorais do Michael com participação do espolio, o que vamos combinar, implicou numa série de negociações para que o filme chegasse as telas... O elenco é um espetáculo a parte com atuações incorrigíveis e impressionantes tamanha semelhança física, um trabalho de esmerado cuidado que muito acrescentou a performance em cena... O Michael jovem sob a atuação do Juliano Krye Valdi é um espanto... Jaafar Jackson (sobrinho do Michael) é um assombro, além de fisicamente muito parecido fisicamente, possui o timbre de voz bastante semelhante, o que enriqueceu a narrativa. Há cenas em que canta e outras em que as vozes são misturadas e dão um efeito espetacular. Colman Domingo nos brinda com um Joe Jackson(pai) incorrigível, Miles Teller faz o John Branca, figura determinante na trajetória do Michael, Nia Long faz Katherine Jackson, presença na vida do Michael muito pouco citada ao longo de sua trajetória, talvez ofuscada pela autoridade do pai. Jessica Sula faz a La Toya Jackson, Kat Graham faz a Diana Ross, figura de extrema importância na vida do Michael, a pessoa por ele escolhida para cuidar de seus filhos na falta da mãe... Com problemas judiciais em função de regras, de acordos firmados nos processos, boa parte do filme teve que ser refeita e reestruturada, o que causou um aumento gigantesco no orçamento(assumido pelo espolio), questões contornadas e que não lhe tiraram o brilho. Assistir MICHAEL é uma experiência imersiva em sua música, uma comprovação cabal de seu legado e, sobretudo uma forma poética e humana de testemunhar seu poder, ainda que sutilmente carregado de toda sorte de complicações, limitações, provações e, sobretudo, desafios que o astro maior viveu... Alguns poderão ver a narrativa com aspecto de chapa branca, afinal teve a tutela de membros da família, frise-se ai que a filha já se manifestou contra a narrativa alegando inverdades, lavando as mãos (“não participei disso”)... Há de se imaginar os imbróglios e questões familiares, que uma narrativa dessa implica, afinal, muitas das pessoas que orbitavam nessa trajetória singular ainda vivem ... O filme é um produto muito bem acabado, prima pela cenografia, pelo som (por favor, prefiram ver numa sala IMAX) e, sobretudo nas atuações... Jaafar incorporou o Michael, as cenas são milimetricante elaboradas e reconstituídas com perfeição... Vê-lo dançar e atuar é como se o Michael ali estivesse... um primor. Outra grande atuação é a do Colman Domingo como pai, um assombro que aliás já desponta como candidato prematuro a Oscar de Coadjuvante, é fato! Toda grande trajetória tem um vilão para chamar de seu... É, sem sobra de dúvidas, umas das melhores, senão a melhor das cinebiografias que pipocam a cada ano. O Rei (eterno) do pop merecia um tributo deste quilate... fala-se, sem maiores definições, numa possível continuação, em função do período pós BAD, inclusive com muito material já gravado em função dos ajustes na edição. Ficou muito a contar...

MICHAEL é um filmaço, impossível assisti-lo sem por ele em algum momento ser tocado... Há uma espécie de memória afetiva coletiva que fica perceptível na sala de exibição... A reação, contida ou não das pessoas é a prova cabal... Ansioso por vê-lo numa sala cheia de fãs, eles são efetivamente um dos termômetros para a avaliação desta empreitada... Ao término da sessão fui tomado por uma espécie de torpor ... Saudades das inúmeras pérols com que Michael nos surpreendia...

Em cartaz nos cinemas a partir de 23.04.26

Ficha Técnica:

Direção: Antoine Fuqua

Roteiro: John Logan

Elenco: Jaafar Jackson, Colman Domingo, Juliano Krye Valdi, entre outros

Gênero: Drama/Biografia (Rei do Pop).

Duração: 125 minutos (2h 05min).









quinta-feira, 26 de março de 2026

 





Um casal de aposentados planeja um assalto à banco, mas precisa unir forças com um casal de ladrões mais jovens para que o roubo dos sonhos seja executado com perfeição …

De maneira simplista, assim seria um breve e primário resumo desse filme, que, vamos combinar é uma espécie de homenagem e até quem sabe uma despedida da Fernanda Montenegro das telonas … se bem que aposentadoria passa bem longe de seus planos …

Com direção do Cláudio Torres( filho da Fernanda ) é um elenco de peso (Ary Fontoura, Vera Fischer, Bruna Marquezine, Nathalia Timberg, Wladimir Brichita, Lázaro Ramos ) a película de roteiro raso e história simples está mais para uma grande brincadeira m, onde tenho certeza, todos se divertiram muito nas gravações … Ha uma espécie de tributo aos atores que brilham em suas participações, especialmente Fernanda, que até calada nos dá um show de interpretação … A junção do núcleo de atores quase centenários e da galera jovem foi muito bem orquestrado … Marquezine com sua jovialidade usou e abusou de suas caras e bocas, equilibrada com um certo exagero de um Brichta meio caricato … É bonito de ver a convivência destas gerações em meio a um set de filmagens cuja premissa foi: divertir sem maiores reflexões e que, ironicamente acaba por fazê-lo em vias menos diretas e objetivas … É um belo entretenimento com bom aproveitamento do elenco … Cláudio fez direitinho o dever de casa … nada de grandes pretenções , apenas cinema pontual, limpo, correto e divertido … Na medida certa … A sensação que sem tem ao subir os créditos é de que foi muito prazeroso e divertido para o elenco e por tabela fica a sensação de boa diversão e dever cumprido da direção !

VELHOS BANDIDOS

Direção : Cláudio Torres

Elenco : Fernanda Montenegro, Ary Fontoura, Vera Fischer , Bruna Marquezine, Vladimir Brichita, Lázaro Ramos

quinta-feira, 28 de agosto de 2025


 

O Último Azul

 

Tereza tem 77 anos, mora numa cidade industrializada na Amazônia e é convocada oficialmente pelo governo a se mudar para uma colônia habitacional compulsória, programa que recolhe idosos a partir de 75 anos para que seus familiares fiquem livres dos cuidados para com eles e continuem a produzir. Lá, os idosos "desfrutam" de seus últimos anos de vida, enquanto a juventude produtiva do país trabalha sem com eles se preocupar. Pressionada pelo exílio forçado, Tereza foge e embarca numa jornada pelos rios e afluentes da região para realizar um último desejo, algo que pode mudar seu rumo para sempre. Tereza sonha voar, nunca andou de avião... Aqui o voo ganha conotações outras que não apenas o simples ato de adentrar um avião e ganhar mundo... Tereza quer mais, quer a liberdade e a possibilidade de viver os dias que lhe restam com a vitalidade a disposição que ainda tem... Uma metáfora que nos faz refletir acerca do envelhecer ... Com dignidade!

Essa sinopse resume a premissa da narrativa do filme … um excelente argumento … Mascaro que ao longo de sua trajetória tem se firmado com argumentos distópicos nos traz o que seria seu trabalho mais apurado, fruto da trajetória de grandes filmes … Um elenco bacana (Santoro no auge do amadurecimento nos deixa com gosto de quero mais … muito pouco tempo em cena - há momentos que eu imaginava a Fernanda na dobradinha com ele ) encabeçado pela Denise Weinberg, numa grande atuação, essa cria do teatro e de uma presença em cena arrebatadora, num trabalho de construção de personagem primoroso e realista... A película que tem uma fotografia cuja paleta de cores fortes e quentes dá o tom da narrativa que, além de centrar no drama propriamente dito, nos apresenta uma Amazônia exuberante e sua comunidade ribeirinha … A sensação que me veio era que algo aconteceria a qualquer momento … o que não ocorreu … a trajetória da protagonista em busca de seu sonho se dilui um pouco e talvez não cumpra o real drama que se propõe … Talvez a expectativa gerada e a maneira equivocada que o filme foi vendido em função do trailer apresentado nos deixe essa sensação … Aqui a abordagem proposta nos põe frente a frente com situações limites que beiram o surreal, a exemplo do recolhimento dos velhinhos em carrocinhas, aquelas tradicionais carrocinhas que recolhiam cachorros de rua... uma abordagem forte para um tema de grande relevância... o pais está envelhecendo e a população idosa cresce a passos largos... As andanças de Tereza em sua fulga lhe permite cruzar com pessoas e com elas ir acumulando lições e aprendizados que aos poucos vão lhe modificando e ampliando sua visão de mundo... É um bom filme dessa nova safra de nacionais bem produzidos e distribuídos … Está na disputa,  junto a outras 15 produções,  ao representante brasileiro na corrida pelo Oscar de filme em língua estrangeira edição 2026.

Em cartaz a partir de dia 28.08

 

Ficha Técnica:

Título: O Último Azul

Direção: Gabriel Mascaro

Roteiro: Gabriel Mascaro, Murilo Hauser e Tibério Azul

Elenco: Rodrigo Santoro, Denise Weinberg, Miriam Socorrás, entre outros

Weinberg

 

quarta-feira, 6 de agosto de 2025

 


DRÁCULA: Uma História de Amor Eterno

Não, não é apenas mais uma versão de Drácula, é versão do Luc Besson, como ele mesmo se antecipou a esclarecer: seu Drácula é mais humanizado, mais focado no sofrimento do homem que levou 400 anos seu um amor...  Com uma trajetória onde os altos são inferiores aos baixos, sua filmografia não decepciona de todo... Imensidão Azul, Nikita, O Profissional, são, na minha opinião, o melhor que ele já nos brindou, em meio a muitos outros medianos... A história que ele nos traz não se diferencia muito das outras, como numa espécie de analogia, agora o conde vai a Paris em busca de Mina... Uma menção a cidade mundialmente conhecida como a cidade do amor? Faz sentido. Aqui o conde de Caleb Landry, a escolha de Besson é mais humanizado e sua relação com Mina mais verdadeira, extremamente romantizada mesmo. Após ser vencedor na batalha, o conde perde sua esposa, o que o revolta e o leva a romper com Deus e renegar o cristianismo cravando uma cruz  no peito do padre a quem pedia proteção e o intermediasse a Deus pela proteção a esposa... Dai a história já conhecemos... Os cenários são grandiosos, a produção de arte impecável, o trilha sonora pertinente e uma equipe de atores equilibrados, onde o Christoph Waltz em sua zona de conforto nos entrega mais do mesmo, um padre caçador de vampiros (uma espécie de exorcista??) . Tomando a Revolução Francesa como pano de fundo, sem maior aprofundamento, apenas uma espécie de citação para contextualizar a ação em um momento francês especial e histórico, talvez aí pecando um pouco, principalmente em se tratando de um cidadão francês (seu caso). É um bom filme, nos deixa a sensação de que talvez os cortes nos privou de alguns importantes detalhes, beneficiando a famigerada necessidade de se render as determinações dos estúdios... Quem sabe não nos chega uma versão estendida do diretor? Não seria má ideia... Vale sempre a conferida, Drácula sempre será uma história arrebatadora... 

Título: Drácula: Uma História de Amor Eterno

Direção: Luc Besson

Roteiro: Luc Besson

Elenco: Caleb Landry Jones, Christoph Waltz e Matilda De Angelis

Produção: França/Reino Unido