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sexta-feira, 28 de agosto de 2026
COYOTE VS ACME
Há muito que tivemos algo próximo desse COYOTE VS ACME que nos chaga agora depois das polemicas com o estúdio que optou inicialmente por aborta-lo de exibições depois de pronto, isso em 2022, considerado prejuízo fiscal... comprado por uma distribuidora quase desconhecida (Ketchup Entertainment) e que vem apostando neste expediente, o filme chega agora as telas...
Coyote vs Acme acompanha dois rivais históricos. Ao mesmo tempo em que é atrapalhado e arrogante, Wile E. Coyote é obcecado por eliminar seu arqui-inimigo Papa-Léguas, dedicando seus dias a montar mirabolantes armadilhas para capturá-lo. Porém, de alguma forma, é sempre ele que acaba se ferrando no fim das contas. O Coiote decide então enfrentar quem ele acredita ser o verdadeiro responsável por seu constante fracasso, a ACME Corporation, empresa que desenvolve os equipamentos que ele usa.
É um longa muito bem feito, e a utilização do desenho e o live action, uma iniciativa híbrida que tem uma grande referência que é o Uma Cilada para Roger Rabbit, grande sucesso do século passado... A narrativa parte da inciativa do Coyote em processar a ACME lançando mão de um advogado meio picareta e seu embate frente ao poder e a grana numa defesa bombástica que acaba tornando a situação um prato cheio para a mídia. O bacana é que temos ao longo do filme cenas com todos os personagens icônicos da Looney Tunes, o que nos faz embarcar numa pegada nostálgica muito gostosa... O júri formado por humanos recebe como testemunhas personagens do desenho, a participação da turma, a saber Pernalonga, Patolino, Piu-Piu, Frangolino, Gaguinho, entre outros, ao longo do filme é um espetáculo à parte. Com o avanço da tecnologia os efeitos especiais são impressionantes, o que faz deste filme um respiro de respeito no mercado, mesmo em meio a uma galerinha que possivelmente mal conhece estes ícones duma fase áurea dos desenhos animados. É um filme leve, engraçado e sobretudo ainda encontra tempo para nos brindar com algumas críticas sociais... Rever os planos fracassados do Coyote para acabar com Papa-Léguas é uma experiência nostálgica singular, e vamos combinar, o mérito e o gostoso de tudo isso é essa perseguição sem fim e esse fracasso dos planos mirabolantes que tornaram este, uma das pérolas do conjunto de personagens tão bem construídos que a Looney Tunes nos brindou há décadas passadas e continuam no imaginário popular.
Nos cinemas a partir de 27 de agosto
Ficha Técnica
Título Original: Coyote vs. Acme
Direção: Dave Green
Roteiro: Samy Burch, James Gunn e Jeremy Slater (baseado em história de Burch, Gunn e Slater, inspirada no artigo de Ian Frazier da The New Yorker
Elenco Principal: John Cena, Will Forte, Lana Condor, P. J. Byrne, Tone Bell, Martha Kelly e Eric Bauza (voz do Coyote)
quinta-feira, 27 de agosto de 2026
PONTO SEM RETORNO
É inegavelmente uma dádiva para cinéfilos ver o Ridley Scott do alto de seus 88 anos, quase 89, na ativa produzindo, em meio a mais de dois projetos simultâneos e nos brindando com pérolas de raro valor...Um diretor que dispensa maiores questões com os grandes estúdios... sua grife já lhe legitima carta branca, algo positivo, mas nem tanto... E este é o caso deste PONTO SEM RETORNO, ao meu ver, literalmente um ponto fora da curva... vejamos a sinopse:
“Em um mundo pós-apocalíptico, um vírus aniquila a humanidade. Os sobreviventes enfrentam um carro-chefe errante chamado Segadores. Baseado no romance de Peter Heller, o filme apresenta um futuro devastado por uma pandemia global. Hig (Jacob Elordi) é um piloto viúvo que vive de forma isolada em um hangar no Colorado com seu cachorro e um ex-fuzileiro naval ranzinza (Josh Brolin). Embora incompatíveis, a dupla depende um do outro para sobreviver a invasores. A rotina é interrompida quando uma transmissão de rádio desperta em Hig a esperança de uma vida melhor além de seu perímetro controlado, levando-o a uma jornada de risco sem retorno.”
O futuro pós-apocalíptico é a praia do Scott, vide sua filmografia nada otimista, nada positiva... Aqui temos uma visão, meio, como podemos dizer sem exagerar, romantizada... A começar pelo protagonista, o queridinho de 11 entre 10 estúdios, o Elordi que, como sempre muito bem, nos oferece uma composição complexa... um ser atormentado e atrelado aos traumas das perdas num passado, o que carrega o filme de momentos melancólicos e contemplativos, ai estabelecendo um contraponto com o seu parceiro e sobrevivente no Hangar, magistralmente construído por um Brolin inspirado... Aquele que atira antes para depois perguntar... A narrativa é um primor em efeitos especiais, fotografia deslumbrante (os planos aéreos são um espetáculo a parte) e trilha sonora correta (não mais que isso). A narrativa se arrasta um pouco nos 40 minutos iniciais para em seguida chegar na praia do Scott, que ainda assim não nos entrega o seu melhor. É um filme bacana, com uma narrativa equilibrada, no entanto longe da grife do Scott que estamos acostumados a ver. Do alto dos 88 anos creio que, ele pode até se da ao luxo de vacilar um pouco ... O próprio estúdio não investiu tanto na distribuição, afinal, um orçamento talvez desnecessário para uma narrativa que poderia facilmente aportar no streaming, ainda que lhe sacrificasse seus belos planos aéreos. Vale conferir!
Nos cinemas a partir de 27 de agosto.
Título: PONTO SEM RETORNO
Direção: Ridley Scott
Roteiro: Mark L. Smith, baseado no romance de Peter Heller
Elenco: Jacob Elordi, Josh Brolin, Margaret Qualley, Guy Pearce, Allison Janney, entre outros
quinta-feira, 20 de agosto de 2026
Apesar do tema gerar uma série de possibilidades e até mesmo profundas reflexões, ai residindo uma serie de críticas negativas que a película recebeu, ainda consigo vê-la como uma deliciosa comédia romântica que, em meio as suas abordagens, passa da média quando nos faz pensar um pouco mais além das duas horas de diversão e boas risadas... A sinopse: Uma cidade nos EUA vive sob a proibição do sexo antes do casamento, uma lei que é mantida a custa de biossensores que fazem o controle, cumpre a determinação exceto por uma noite a cada ano onde o sexo está liberado por 12 horas... Está lançada a premissa para uma noite de buscas, atrapalhadas, propagandas bizarras, busca desenfreada por preservativos, e, obviamente busca por parceiros... Neste cenário caótico estão Allie e Owen, ela em busca de um parceiro, ele, romântico e disposto a assumir um noivado e um futuro casamento nesta noite, não fosse a noiva optar por aproveitar a liberação para experiências outras, neste caso com o vizinho gato...
Dirigido por Will Gluck (A mentira, Todos menos você...) se passa num curto espaço de tempo, é portanto muito dinâmico e, como previsto a premissa é o encontro do casal, ainda que sofram todos os percalços ao longo da narrativa... Após uma declaração para a imprensa, a polemica se espalhou... Gluck afirmou que gravou muitas cenas de sexo e nudez que foram excluídas do filme no corte final, segundo ele em função de corresponder a um público que não se sente bem com sexo e nudez na telona e nudez excessiva... complicado falar de uma busca por uma única noite de sexo liberado num ano... sem nudez... Polemicas a parte, o filme que custou cerca de 25 milhões de dólares, não conseguiu arrecadar nem a metade disso nas duas semanas iniciais, para os estúdios, um fracasso.... Contando com um casal que possui uma boa química, belos e talentosos, talvez não fosse o bastante para levar as pessoas ao cinema, ate mesmo porque foi um lançamento de coragem em meio a concorrência com lançamentos de peso neste mesmo período. Como dito, a narrativa é bastante dinâmica, emoldurada por uma boa fotografia, uma trilha sonora de sucessos incontestáveis e um casal fofo... O pecado? A abordagem frente a premissa do tema? Certamente um filme que dividira opiniões... Me diverti muito e confesso que o fiz sem grandes expectativas (talvez este seja o segredo). Não estamos diante de nenhuma obra prima, nem tão pouco diante de nenhum tratado existencial ou sexual, mas de um respiro em meio a tantas posturas e cobranças de um patrulhamento pelo politicamente correto e viável.
Título: Só por uma Noite
Direção: Will Gluck
Roteiro: Travis Braun e Will Gluck
Elenco: Monica Barbaro, Callum Turner, entre outros


