quinta-feira, 20 de agosto de 2026


Apesar do tema gerar uma série de possibilidades e até mesmo profundas reflexões, ai residindo uma serie de críticas negativas que a película recebeu, ainda consigo vê-la como uma deliciosa comédia romântica que, em meio as suas abordagens, passa da média quando nos faz pensar um pouco mais além das duas horas de diversão e boas risadas... A sinopse: Uma cidade nos EUA vive sob a proibição do sexo antes do casamento, uma lei que é mantida a custa de biossensores que fazem o controle, cumpre a determinação exceto por uma noite a cada ano onde o sexo está liberado por 12 horas... Está lançada a premissa para uma noite de buscas, atrapalhadas, propagandas bizarras, busca desenfreada por preservativos, e, obviamente busca por parceiros... Neste cenário caótico estão Allie e Owen, ela em busca de um parceiro, ele, romântico e disposto a assumir um noivado e um futuro casamento nesta noite, não fosse a noiva optar por aproveitar a liberação para experiências outras, neste caso com o vizinho gato...

Dirigido por Will Gluck (A mentira, Todos menos você...) se passa num curto espaço de tempo, é portanto muito dinâmico e, como previsto a premissa é o encontro do casal, ainda que sofram todos os percalços ao longo da narrativa... Após uma declaração para a imprensa, a polemica se espalhou... Gluck afirmou que gravou muitas cenas de sexo e nudez que foram excluídas do filme no corte final, segundo ele em função de corresponder a um público que não se sente bem com sexo e nudez  na telona e nudez excessiva... complicado falar de uma busca por uma única noite de sexo liberado num ano... sem nudez...  Polemicas a parte, o filme que custou cerca de 25 milhões de dólares, não conseguiu arrecadar nem a metade disso nas duas semanas iniciais, para os estúdios, um fracasso.... Contando com um casal que possui uma boa química, belos e talentosos, talvez não fosse o bastante para levar as pessoas ao cinema, ate mesmo porque foi um lançamento de coragem em meio a concorrência com lançamentos de peso neste mesmo período. Como dito, a narrativa é bastante dinâmica, emoldurada por uma boa fotografia, uma trilha sonora de sucessos incontestáveis e um casal fofo... O pecado? A abordagem frente a premissa do tema? Certamente um filme que dividira opiniões... Me diverti muito e confesso que o fiz sem grandes expectativas (talvez este seja o segredo). Não estamos diante de nenhuma obra prima, nem tão pouco diante de nenhum tratado existencial ou sexual, mas de um respiro em meio a tantas posturas e cobranças de um patrulhamento pelo politicamente correto e viável.

Título: Só por uma Noite

Direção: Will Gluck

Roteiro: Travis Braun e Will Gluck

Elenco: Monica Barbaro, Callum Turner, entre outros

 

quarta-feira, 15 de julho de 2026


 

A ODISSEIA

Um clássico que já passou por várias adaptações, várias releituras, vários conceitos. Aqui no Brasil esteve nos palcos sob a batuta de Caetano Vilela, Isabel Penoni e Joana Levi, Hamilton Vaz Pereira, Octavio Camargo, Cristiano Burlan... Para ficar em alguns... Nas telas, Georges Méliès já se aventurou, Mario Camerini na versão com Kir Douglas e Silvana Mangano, que é uma das mais elogiadas, Brad Pitt dividiu opiniões, Ralph Fiennes e Juliette Binoche não arrebataram... e até os irmãos Joel e Ethan Coen. Eis que agora chega uma versão com cara de definitiva, ao menos até que  algum outro gênio consiga supera-la... A história do homem que passou 20 anos numa batalha com o outro e consigo mesmo para voltar pra casa... essa seria a premissa simplista desta epopeia  escrita no século VII a.C. onde a trajetória de Odisseu e seus conflitos de volta pra casa nos é narrada em flashback. Nela a Guerra de Tróia, bruxas, monstros, confrontos no mar, a fúria dos deuses, batalhas mirabolantes e muita, muita filosofia em forma de pérolas compõem um roteiro bem construído em mãos de um elenco estrelar pouco visto junto... Uma jogada de mestre que, em meio a tantas (ou nenhuma) possibilidades poderia se tornar o grande equívoco do ano... Não será... É, até aqui, na minha humilde opinião, o maior dos acertos, um alento em meio à crise cinematográfica (Nolan já tinha feito isso com OPPENHEIMER), uma resposta de responsa ao streaming. O filme mais aguardado do ano faz muito mais que corresponder, ele extrapola e surpreende de maneira espetacular toda e qualquer expectativa, afinal possui a marca “Nolan” , que de longe já é garantia de produção acima, muito acima da média... Há muito que o Nolan já brinca com esse tema, há muito que essa história “da volta pra casa” já é vista e revista(não só por ele), mas não de maneira tão espetacular. Depois de seu arrasa quarteirão OPPENHEIMER (2024) faturar sete estatuetas do carequinha (vulgo OSCAR) mais desejado do cinema, dentre elas melhor direção e melhor filme, era de se esperar algo a altura. Decididamente o Nolan não padece da maldição da premiação que acomete algumas estrelas... contando com um elenco de primeira, onde TODAS as atuações encantam e emocionam, lançou mão de ousadas polêmicas (Uma helena de Tróia negra é uma delas...), inovou ao rodar a primeira película 100% em IMAX (600km de película, é mole??), locações de tirar o fôlego, efeitos especiais de primeiríssima linha e roteiro de precisão  cirúrgica... Aqui nada é mais ou menos... Tudo na medida... Obviamente dividirá opiniões em certos aspectos, o que é saudável.. A unanimidade nunca é salutar...aqui, no entanto, as chances são mínimas de não agradar... Com um orçamento batendo os US$ 250 milhões (R$ 1,286 bilhão), A ODISSEIA mira o alto e entra no rol das apostas milionárias, dos mais ambiciosos dos projetos, uma ousadia para poucos, um alento para o cinema. Com um time de peso: Odisseu (Matt Damon, um assombro), Penélope(Anne Hathaway, no auge de seu potencial dramático), Telêmaco, seu filho (Tom Holland), Atena (Zendaya), Helena de Tróia e Clitemnestra (Lupita Nyong`o), Antínoo(Robert Pattinson, cada vez mais maduro e talentoso), Calypso (Charlize Theron)... Uma verdadeira constelação que bate um bolão com os demais coadjuvantes... Contando mais uma vez com a parceria de sucesso, Nolan apostou no talento do Oscar Ludwig Goransson que brilha com mais uma trilha sob medida. Entretenimento com doses generosas de filosofia em estado sublime, A ODISSEIA já nasce um clássico que deve ser visto em tela grande e nas salas IMAX.

A partir de 16 de julho nos cinemas.

Ficha Técnica:

Título : A ODISSEIA

Direção: Christopher Nolan

Roteiro: Christopher Nolan e Homer

Elenco: Matt Damon, Anne Hathaway, Tom Holland, Zendaya, Lupita Nyong´o, Robert Pattinson, Charlise Theron

quinta-feira, 25 de junho de 2026

 SUPERGIRL
 

Agora Kara, a SuperGirl, após fazer uma tímida aparição no Superman tem um filme pra chamar de seu … Aposta ousada do DC, SuperGirl se não chega empolgar também não chega a decepcionar … É um daqueles produtos bem embalados, supervalorizados, mas está longe de surpreender . Impossível não ver na narrativa o visual magnífico do MadMax, há momentos que pensamos que um filme se transformou no outro …
Com um elenco equilibrado, a escolha da Milly Alcock não poderia ter sido mais feliz … um rosto desconhecido, com expressões e certo desleixo chegam a impactar . o cabelo desgrenhado e a falta de atitude que nos é mostrada nos minutos iniciais cede lugar a muita ação e pancadaria … kara está em meio a uma solitária comemoração de seu aniversário quando é abordada por uma garotinha que perdeu familiares e a convoca a seguirem rumo a vingança … a garotinha ( Ruthye Marie Knoll, outro achado) consegue uma boa sintonia(só perde para o Pet da Kara , um cãozinho esperto e cativante ). Na primeira hora da narrativa a postura da Kara é mantida , numa espécie e prenúncio para a ação e pancadaria dos minutos finais … O antagonista, ou vilão como nós habituamos a denominar não nos surpreende, não possui grandes atributos para adentrar a galeria dos grandes… faz seu dever de casa sem surpreender !
Decididamente é um bom entretenimento com uma produção caprichada, âncora da em efeitos de ponta … não decepciona. Prima de Clark, que faz duas ou três pequenas participações, SuperGirl deixa clara a porta aberta para uma certeira continuação … Inevitável as comparações com outros super-heróis, normal a repetição de chavões e mesmo cenas coreografadas e exibidas a exaustão. O típico filme de férias não decepciona, como todos destoa um pouco dos quadrinhos que lhe dá origem, no entanto essa espécie de licença poética é expediente comum nas adaptações, se não as enriquecem não chegam a comprometer .
Nos cinemas a partir de 25.06


quinta-feira, 28 de maio de 2026

 NATAL AMARGO

A expectativa por um Almodóvar sempre é grande … Diretor de grande reconhecimento público, notabilizou-se pela criação de grandes personagens femininos . Núcleo de suas histórias, a exceção de um ou outro filme , cujo protagonista do sexo masculino rouba a cena , não raro espelhando em si mesmo … NATAL AMARGO não é uma obra prima do mestre , nem tão pouco um dos mais inspirados trabalhos … Seu trabalho anterior impactou e surpreendeu mais… Ao longo dos anos Almodóvar cresceu muito, amenizou os exageros e tornou-se mais contemplativo … talvez na contra mão da humanidade que hoje vive, ou melhor passa pela vida correndo … Em NATAL AMARGO temos duas histórias que ocorrem em paralelo … um diretor escrevendo um roteiro usando histórias de amigos , o alter ego do Almodóvar está lá, não tenha dúvida … ele mesmo assume e até questiona o quão perigoso é envolver histórias de conhecidos … Seria mesmo ético fazê-lo? É uma história confusa e, (sem spoiler)demanda bastante atenção no vai e vem de filme dentro do filme . Com uma bela fotografia , cores fortes e quentes, locações deslumbrantes, como de hábito os pequenos (não seriam grandes ? ) detalhes, roubam a cena … ouvir Chavela Vargas não tem preço … viajar nos cenários da ilha de Lanzarote e suas belas erupções vulcânicas é um achado … tudo bem orquestrado e montado … Cenários e figurinos regidos por cores fortes e quentes continuam por sedimentarem sua marca. É um Filme para assistir mais de uma vez, ruminando com parcimônia todo o conteúdo que nos leva uma reflexão … Pois bem , amizade, amores, perdas e, mais uma vez o luto … O elenco é equilibrado e bate um bolão … Raúl(Leonardo Sbaraglia) está às voltas com um roteiro que viabilize sua volta às filmagens , após um hiato na carreira , para tal se apropria de histórias de amigos que nem sempre são bem vistas por esses mesmos … Aqui temos o drama já abordado a exaustão : a relação do criador e suas criaturas … mas ainda assim rende uma boa história . Não vale aqui falar mais a respeito da história, é preciso que ela nos arrebate e nos surpreenda. NATAL foi um dos poucos filmes de grandes estúdios aclamado no último Festival de Cannes(que este ano esteve bem mais alternativo )no entanto saiu de mãos vazias. Poucos diretores falam de si com tanta propriedade e ironia sem decepcionar … Almodóvar consegue fazê-lo com criatividade singular !!!
Em cartaz nos cinemas a partir de 28.05.26

NATAL AMARGO
Direção/Roteiro: Pedro Almodóvar
Elenco; Bárbara Lennie, Leonardo Sharaglia, Aitana Sanchez-Gijó


quarta-feira, 29 de abril de 2026




O DIABO VESTE PRADA 2



Uma grata surpresa … Ao contrário do que muitos esperavam, tão conhecida que é a logística das continuações, O DIABO VESTE PRADA 2 surpreende! Uma grata surpresa em meio a tanto mais do mesmo, em se tratando de continuação então … A sábia direção de David Frankel aliada ao excelente roteiro (ancorado no quarteto central do elenco) nos encanta …

Passados 20 anos muita coisa mudou , inclusive no universo da moda … O roteiro se apropria muito bem dessa mudança e ainda que não se aprofunde de maneira radical, ao menos não faz pouco caso do nosso discernimento … aborda na medida certa e com o devido equilíbrio, atualizando a pegada a luz das mudanças ao longo destes 20 anos... Agora Andy volta a revista como uma espécie de salvadora da pátria, no entanto dando uma lição de humanidade … Sim, em meio a demissão após uma premiação no jornal onde agora trabalhava, ainda se preocupa com Miranda, relevando tudo que passou sob o comando da chefe cruel … mas nada que a tire do prumo … não há mágoa, rancor … troca de vaidades ou troco pelo sofrimento … Todos mudaram, inclusive a própria postura de Miranda, ainda que polida (em razão das porradas lhes proferidas pelo universo em sua lei cruel de retorno), reflete acerca de seu comportamento …

Um roteiro leve, diálogos cortantes, citações ironicamente inteligentes tornam seus personagens mais humanos e, ponto positivo, eles não se ancoram em situações vividas há 20 anos atrás … eles a resignificam e nos brindam com bons momentos de puro deleite. Há uma química espetacular entre o quarteto central do filme, eles batem um bolão em cena, sem exageros, sem caricaturas, apelos ou o que valha... Emily Blunt (vem ai em Odisseia do Nolan) e Athaway (poderosa em Dia D do Spielberg) estão incorrigíveis, Meryl Streep (sempre bem) dá um show a parte, inclusive na construção de um personagem resignificada em função das mudanças. Stanley Tucci é um pouco ofuscado e não evoluiu muito na construção do personagem, mas não faz feio. Se no primeiro filme a mídia impressa reinava, agora Miranda desliza os dedos num iPhone... a profusão de memes é espetacular ... A velocidade da mídia é absurdamente implacável... A diva Madonna agora cede espaço a Lady Gaga, Dua Lipa e Miley Cyrus... novos tempos. Como tudo agora fira em torno de polemicas...Elas vendem ingressos... O DIABO...2 não fugiu a elas, mas sobrevive nem um pouco chamuscado... Encanta e tem vida própria e venderá muitos ingressos. E não espantem se não vier logo, logo o 3... Assunto não vai faltar.



Nos cinemas a partir de 30 de abril



Ficha Técnica:

Título : O Diabo Veste Prada 2

Direção: David Frankel

Elenco: Anne Hathaway, Meryl Streep, Emily Blunt Stanley Tucci