terça-feira, 21 de abril de 2026
MICHAEL
As primeiras cenas do excelente MICHAEL nos mostram as passadas do gênio e sua voz... Talvez não intencionalmente essa cena nos mostra o que sintetiza em parte o legado que Michael Jackson nos deixou ou quem sabe, seu diferencial: Sua voz e sua dança, sua presença no palco, que vamos combinar, foi e continua sendo um assombro... Sem medo de errar: Um Michael não aprece todo o dia... E este, é e será ÚNICO!
Depois de muitas polemicas, muitos atrasos e sobretudo muitos acordos, eis que nos chega a cinebiografia do REI DO POP, aquele que chegou e mostrou a que veio desde a tenra infância, aos 5 anos de idade. Ponto fora da curva em todos os aspectos, Michael Jackson chegou fazendo barulho e se foi, deixando um doloroso silencio. O roteiro de MICHAEL nos mostra a trajetória do gênio desde a descoberta aos aproximados 5 anos de idade até o icônico lançamento de BAD, ou seja, um recorte de uma trajetória carregada de polêmicas, mas não menos iluminada e sonoramente espetacular! A excentricidade é uma daquelas características que nos custa caro, com Michael não foi diferente. A narrativa nos mostra claramente os abusos a que foi submetido pela ganância do pai que via no seu talento o futuro promissor da família, que é iniciado pela criação dos Jackson 5, grupo formado pelos cinco irmãos que já nasce brilhante, mas destacando Michael dos demais. Sua voz era a alma do grupo... É bonito de ver como a música lhe tomava de assalto e lhe contaminava o corpo inteiro... A emblemática cena das primeiras gravações em estúdio em função de seu comportamento é de uma singeleza franciscana, mas de um gigante simbolismo : Michael era todo música... Desde a infância. A cinebiografia centra seu foco na sua trajetória musical, evitando, com cuidado, a série de polêmicas que pontuaram sua trajetória...Estão lá a conturbada relação com o pai até seu rompimento oficial, a cumplicidade da mãe, a inusitada relação com seu segurança que, acaba por se tornar uma espécie de consultor em seus momentos críticos e a importância do John Branca na sua carreira... A criança que pulou da infância praticamente para a fase adulta e estrelada não poderia chegar incólume ao amadurecimento... Com roteiro do incensado John Logan, versátil dramaturgo e produtor americano que, nos brindou com O Gladiador, O Aviador, A Invenção de Hugo Cabret, 007 - Operação Skyfall e 007 Contra Spectre, para ficar em alguns, direção do Antoine Fuqua (Dia de Treinamento) a super produção foi caprichada, não veio para brincadeira, afinal o projeto conta na produção com alguns familiares e teve os direitos adquiridos, como anunciado em 2023 pela Universal com distribuição da Lionsgate e GK filmes (estão no time dos maiores). Hoje a Sony Music é a principal detentora (majoritária) dos direitos autorais do Michael com participação do espolio, o que vamos combinar, implicou numa série de negociações para que o filme chegasse as telas... O elenco é um espetáculo a parte com atuações incorrigíveis e impressionantes tamanha semelhança física, um trabalho de esmerado cuidado que muito acrescentou a performance em cena... O Michael jovem sob a atuação do Juliano Krye Valdi é um espanto... Jaafar Jackson (sobrinho do Michael) é um assombro, além de fisicamente muito parecido fisicamente, possui o timbre de voz bastante semelhante, o que enriqueceu a narrativa. Há cenas em que canta e outras em que as vozes são misturadas e dão um efeito espetacular. Colman Domingo nos brinda com um Joe Jackson(pai) incorrigível, Miles Teller faz o John Branca, figura determinante na trajetória do Michael, Nia Long faz Katherine Jackson, presença na vida do Michael muito pouco citada ao longo de sua trajetória, talvez ofuscada pela autoridade do pai. Jessica Sula faz a La Toya Jackson, Kat Graham faz a Diana Ross, figura de extrema importância na vida do Michael, a pessoa por ele escolhida para cuidar de seus filhos na falta da mãe... Com problemas judiciais em função de regras, de acordos firmados nos processos, boa parte do filme teve que ser refeita e reestruturada, o que causou um aumento gigantesco no orçamento(assumido pelo espolio), questões contornadas e que não lhe tiraram o brilho. Assistir MICHAEL é uma experiência imersiva em sua música, uma comprovação cabal de seu legado e, sobretudo uma forma poética e humana de testemunhar seu poder, ainda que sutilmente carregado de toda sorte de complicações, limitações, provações e, sobretudo, desafios que o astro maior viveu... Alguns poderão ver a narrativa com aspecto de chapa branca, afinal teve a tutela de membros da família, frise-se ai que a filha já se manifestou contra a narrativa alegando inverdades, lavando as mãos (“não participei disso”)... Há de se imaginar os imbróglios e questões familiares, que uma narrativa dessa implica, afinal, muitas das pessoas que orbitavam nessa trajetória singular ainda vivem ... O filme é um produto muito bem acabado, prima pela cenografia, pelo som (por favor, prefiram ver numa sala IMAX) e, sobretudo nas atuações... Jaafar incorporou o Michael, as cenas são milimetricante elaboradas e reconstituídas com perfeição... Vê-lo dançar e atuar é como se o Michael ali estivesse... um primor. Outra grande atuação é a do Colman Domingo como pai, um assombro que aliás já desponta como candidato prematuro a Oscar de Coadjuvante, é fato! Toda grande trajetória tem um vilão para chamar de seu... É, sem sobra de dúvidas, umas das melhores, senão a melhor das cinebiografias que pipocam a cada ano. O Rei (eterno) do pop merecia um tributo deste quilate... fala-se, sem maiores definições, numa possível continuação, em função do período pós BAD, inclusive com muito material já gravado em função dos ajustes na edição. Ficou muito a contar...
MICHAEL é um filmaço, impossível assisti-lo sem por ele em algum momento ser tocado... Há uma espécie de memória afetiva coletiva que fica perceptível na sala de exibição... A reação, contida ou não das pessoas é a prova cabal... Ansioso por vê-lo numa sala cheia de fãs, eles são efetivamente um dos termômetros para a avaliação desta empreitada... Ao término da sessão fui tomado por uma espécie de torpor ... Saudades das inúmeras pérols com que Michael nos surpreendia...
Em cartaz nos cinemas a partir de 23.04.26
Ficha Técnica:
Direção: Antoine Fuqua
Roteiro: John Logan
Elenco: Jaafar Jackson, Colman Domingo, Juliano Krye Valdi, entre outros
Gênero: Drama/Biografia (Rei do Pop).
Duração: 125 minutos (2h 05min).
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