quinta-feira, 23 de fevereiro de 2023


 

CASAMENTO EM FAMÍLIA

Não fosse pelo afiado roteiro, com diálogos espertos e bem construídos e de humor acima da média, um elenco de estrelas e uma direção competente, CASAMENTO EM FAMÍLIA não passaria de uma sessão da tarde, o que está longe de sê-lo...

Casal jovem, filhos do quarteto está em crise na relação: Ela ávida pelo casamento e ela totalmente confuso e em dúvidas, o que os leva a um jantar em famílias para os pais se conhecerem e que sabe a luz ao fim do túnel para o grande dilema da relação... Só não imaginavam que segredos maiores e mais complexos pairavam nestas duas famílias... Ficamos por aqui para evitar spoiler... Casamentos sempre dão um bom caldo, temos muitos exemplos, em sua maioria comédias românticas ou no seu extremo, dramas rasgados e apelativos... CASAMENTO EM FAMÍLIA de maneira sábia e com um humor fino e inteligente fica entre um e outro, abordando temas universais entre os casais, conceitos e fórmulas para relações, dramas e comédias, cujas convivências acabam por se tornar deterioradas pelo desgaste da rotina, seja pela falta de amor ou pelo desgaste dele... Um leque de situações que compõem um universo onde sempre se tem algo a falar, discutir e refletir. Aqui não temos o famoso filme cabeça, nem tão pouco a bobagem da sessão da tarde, temos a fluidez de diálogos que nos provocam reflexões pertinentes, estejamos ou não satisfeitos em nossas relações/casamentos... Um primor! Richard Gere, o eterno galã do cinema está bem e convivendo pacificamente com o passar dos anos, seu charme e sua beleza no eterno sorriso de bom moço que conquistou o planeta envelheceram bem... Diane Keaton, uma atriz completa, faz bem sua lição de casa, apesar de nos mostrar que o tempo não lhe tem sido tão generoso, uma senhora do alto do sua elegância e encantadora beleza... Susan Sarandon brilha e rouba a cena com seu humor ácido e inteligente... É um filme para se ver só ou em família, garantia de boas risadas e boas reflexões... Em tempos difíceis e cobranças do politicamente correto, CASAMENTO EM FAMÍLIA sai pela tangente, dá seu recado com humor, leveza e, sobretudo, estrema elegância, afinal com o quarteto do elenco não se poderia esperar menos que isso.

Ficha Técnica:

Título: CASAMENTO EM FAMÍLIA

Direção e Roteiro: Michael Jacobs

Elenco: Richard Gere, Emma Roberts, Luke Bracey, Diane Keaton, Susan Sarandon e William H Macy, entre outros

Em cartaz nos cinemas

 

 

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023


 

TILL – A BUSCA POR JUSTIÇA

Dirigido pela nigeriana Chinonye Chukwu, que em 2019 nos brindou com CLEMÊNCIA, TILL é um daqueles filmes que nos aplicam um soco no estômago que reverbera no Coração... O roteiro nos narra a luta de uma mãe negra por justiça peça bárbaro linchamento e assassinato do único filho adolescente Emmett, que vai passar as férias com os primos no Mississipi e não volta... A história verídica foi tema de documentário em 2015, de Keith Beauchamp (assina com a diretora o roteiro) que mergulhou fundo com propriedade  e foi uma base para a diretora, que numa sábia sacada, centrou toda a narrativa na luta da mãe... Evitou expor explicitamente a extrema violência que o garoto foi vitima e, numa espécie de narrativa subjetiva, centrou toda a carga dramática no sofrimento da mãe e sua luta... Um grande acerto. Para tal empreitada precisou de uma atriz de potencial dramático espetacular como a Danielle Deadwyler, uma monstra em cena cujo olhar devora a todos nós em suas aparições. A narrativa carrega alguns símbolos, principalmente nos minutos iniciais que nos conduzem a uma previsão e compreensão. A ação se passa na década de 50, é possível ter uma noção da posição dos negros aquela época, que, em alguns lugares, pontualmente eram mais execrados e mal vistos, a exemplo de Mississipi, onde ocorre o crime. Deadwyler nos brinda com uma ação espetacular, foi lembrada pelo Bafta e pelo SAG , mas esnobada pelo Oscar, que este ano limou completamente as atrizes negras, a exceção das coadjuvantes, que neste caso é aposta garantida (Basset), assim como o filme que passou também despercebido...  O elenco está bem, há uma liga forte entre eles e as atuações, sem exceção são todas elogiáveis, o clima de comoção é a tônica de uma narrativa que nos impacta ainda mais nos minutos finais (sem spoiler) a mãe se agiganta, nos surpreende e nos choca com uma postura jamais imaginada. Carregado numa dramaticidade sem ser piegas ou melodramático, TILL funciona mais como um alerta a reflexão afinal quase 70 anos depois se mostra quase que atual, ainda que com avanços e as conquistas, que não diria doas negros, mas da humanidade, ainda não chegamos ao ideal de humanização... De delicada e forte abordagem, TIL é cru sem ser cruel, é de uma força e uma delicadeza a toda prova. Inesquecíveis os olhares e os silêncios de uma protagonista que parece ter nascido para uma atuação magistralmente desafiadora... Danielle nos leva as lágrimas num momento em que a indiferença e a insensibilidade ao nosso próximo se tornaram lugar comum na trajetória de uma dita humanidade cada vez mais desumana.

Ficha Técnica:

Título: TILL – A Busca por Justiça

Direção: Chinonye Chukwu

Roteiro: Michael Reilly e Keith Beauchamp

Elenco: Danielle  Deadwyler, Jalyn Hall, Sean Patrick Thomas, John Douglas Thompson, entre outros

Em cartaz nos cinemas a partir de 9 de fevereiro

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023


OS BANSHEES DE INISHERIN

Queridinho do ano, arrebatou crítica e público  conseguindo a façanha de ter nove indicações ao OSCAR, diga-se de passagem , parte das principais indicações : Filme, ator, diretor. dois atores coadjuvantes, atriz coadjuvante, roteiro original e trilha sonora... Uma façanha!

Lastreado num argumento simples, singelo mesmo, cuja ação se passa numa pequena ilha habitada por poucas pessoas que dividem uma rotina franciscana, o roteiro nos fala de dois melhores amigos, andam juntos, frequentam o mesmo bar, o mesmo grupo de amigos... De repente, do nada, um deles, Colm resolve que não quer ser mais amigo... Faz a seca comunicação e se afasta... o inconformado ( Pádraic) até tenta explicações,. Mas nada acontece... A narrativa entra num crescendo quando Colm cheio das investidas de Pádraic dá o ultimato: Se ele insistir na relação decepará um dos dedos da mão... E assim o faz... Partindo dessa premissa, o filme nos fala de algo muito maior do que a pequena ilha, a pacata vida das pessoas... Quando Martin McDonagh pensou no roteiro, a ideia era abordar o fim das relações, elegeu a de dois amigos e levou as consequências ao extremo... De repente o que parecia ser uma história boba (e pode ser até que seja mesmo) se transforma numa guerra... A fábula bucólica e poética ganha ares de horror com direito a sangue e cenas explicitas, uma metáfora para um rompimento que mexe tanto com as pessoas, o lugar e seus dois protagonistas, que dão um show de interpretação. Numa química equilibrada... Colin Farrell, ator Irlandês teve com isso a chance de gravar em seus país natal, sim, o filme é gravado na costa oeste da Irlanda com fotografia bucolicamente estratégica em meio ao conflito que ali se estabelece, e isso sem contar com as explosões esporádicas... a ação se passa no mesmo período da guerra civil, 1923, as explosões da guerra são ouvidas ao longe em meio as explosões entre os amigos na ilha. O trio de atores está numa sintonia espetacular, em alguns momentos Berry Keoghan rouba a cena em uma atuação irretocável... Aliás, aqui até a atuação dos animais surpreende, observe. De baixo orçamento se comparado as grandes produções, o filme iniciou sua trajetória no festival de Veneza, Colin Farrell foi vencedor do Globo de Ouro e, segundo as bolsas de apostas,  segue sendo favorito ao Oscar ...

Ficha Técnica:

Título: The Banshees Of Inisherin

Direção e Roteiro: Martin McDonagh

Elenco: Colin Farrell, Brendan Gleeson, Berry Keoghan

Nos cinemas a partir de 02 de fevereiro