domingo, 19 de novembro de 2017



A VILÃ
Byung-gil Jung, nos brinda com uma película de ação movimentada, bem coreografada e inteligente... Há uma utilização exagerada de sangue e um massacre pouco vistos nas telas com consistência, conteúdo e o melhor, com roteiro inteligente o suficiente para não acharmos nada gratuito... A trajetória de Sook-hee (Ok-bin Kim), mulher criada e treinada para matar nos remete a NIKITA. O filme nos mostra as conturbadas idas e vindas, único senão, que por vêzes pode confundir os menos atentos, as costuradas e idas e vindas explicativas em alguns momentos soam confusas, mas nada que comprometa o bom desempenho do elenco, o pulso firma da direção e a narrativa equilibrada com cenas e momentos de ações e outros de rara ternura e até mesmo romance, residindo ai seu mérito. A sequencia inicial é de fazer qualquer um pirar, bem construída numa coreografia ágil e tensa, de uma inovação digna de elogios, só ela já nos paga o ingresso, depois é claro da sequencia da noiva, inesquecível! !
O cinema coreano vem nos surpreendendo, nos brindando com ótimos e inusitados filmes que há muita já sairam da linha de violência gratuita, sem história ou conteúdo...
Título Ak-Nyeo (Original)
Ano produção 2017
Dirigido por Byeong-gil Jeong
Duração 123 minutos
Classificação 16 - Não recomendado para menores de 16 anos
Gênero
Ação Drama
Países de Origem
Coreia do Sul

terça-feira, 7 de novembro de 2017



VICTORIA & ABDUL

A cena inicial adverte: baseado em fatos reais e algo mais...
Stephen Frears nos brinda com uma bela, leve e humana história, ainda que com um gostinho de : Poderia ser melhor... Encabeçada por Judi Dench, (que mais uma vez faz, irretocavelmente a rainha) e Ali Fazal, a narrativa é sustentada mais uma vez no choque de culturas e na transformação de um monarca, no caso a rainha que sensibilizada e encantada com a ousadia de Abdul, transformando-o assim em seu confidente... Ainda não temos ai o melhor de Frears, nem tão pouco Judi esta no seu melhor momento, o que não a invalida do tremendo esforço para segurar o filme ao longo das duas horas aproximadamente...
É o tipo de historia redondinha, com situações já vistas que, equilibradas com a atuação, sempre elogiada de Judi e o competente trabalho de Fazal acabam por nos deixar com a sensação de dever cumprido do diretor...
As locações são primorosas, a fotografia bucólica e a sonoplastia pertinente emolduram este que é um dos filmes medianos, mas que não chega a decepcionar.
Ficha Técnica:
Data de lançamento 16 de novembro de 2017
(1h 52min)
Direção: Stephen FrearsElenco: Judi Dench, Ali Fazal, Eddie Izzard maisGêneros Biografia, Drama, HistóricoNacionalidades Reino Unido, EUA

segunda-feira, 6 de novembro de 2017



GABRIEL e a Montanha

Há muito que uma produção nacional não me arrebatava tanto... Conhecia a história do Gabriel, como boa parte dos brasileiros mais atentos, no entanto não imaginava pudesse ser contada com tanto amor, tanta beleza, tanta ternura. Compreendo que neste caso, em específico, muitas são as afinidades e muitos são os motivos que me encantaram na narrativa: Viagens, trilhas, natureza, amor ao próximo, desprendimento e vontade de mudar o mundo a partir de mudança interior e comportamental. Dentre outros, além da admiração e afeto que foi construído em mim ao longo do filme por uma pessoa que nem sequer conheci, e que o Barbosa, com seu talento e me fez amar.
Felipe Barbosa já tinha nos brindado com um excelente filme, CASA GRANDE, sucesso de crítica, talvez de público nem tanto, mas bastante reconhecido e premiado em vários festivais... Pois bem, com esse projeto, ele dá um passo gigante em sua carreira quando nos brinda com uma pequena grande obra prima. Com a ideia genial de sair da linha usual dos documentários, saiu em campo com as anotações e fotos, refez seu percurso e mantendo contato com as pessoas que cruzaram na vida de Gabriel (algumas nem sabiam ainda do ocorrido) as convidou para reviver com atores profissionais as situações partilhadas ao longo de sua maratona... Deu certo, a interação entre os dois atores profissionais João Pedro Zappa e Caroline Abras e as pessoas com as quais Gabriel conviveu funcionou e é de uma beleza e delicadeza sem precedentes... Obviamente que problemas ocorreram, afinal se trata-se de não atores, mas creio que a boa energia e luz de Gabriel pairou sobre todos e o que se vê na tela é uma bela, apesar de triste história, bem amarra e com muitas mensagens a serem aprendidas...
Com a ajuda da namorada e da família, Barbosa conseguiu amarrar um roteiro fiel a realidade sem ser piegas ou dramático... A história nos é contada de maneira suave, verdadeira e encantadora... Gabriel ganha vida, sua mensagem é partilhada, seus ideias são lançados e o mais importante, sua busca nos mostra que viver requer de nós mais entrega, mais coragem e mais audácia...
A atuação dos atores é irretocável, com direção amorosa e pontual eles cumprem bem o papel e nos faz, nas duas horas de projeção viajar e juntos questionarmos o sentido da vida... Isso não é pouco... A atuação das pessoas que conviveram com Gabriel convencem e em algumas cenas são, decididamente muitos superiores a cenas de filmes outros compartilhadas por atores profissionais, e isso porque ali pairava sentimento, afeto, uma espécie de devoção e verdade... Um primor!
A fotografia e trilha sonora dispensam comentários, emolduras com todas as honras cada minuto!
Não vale aqui comentar sobre aspectos mais pontuais da história, deixemo-nos arrebatar pelas surpresas e pela iluminada narrativa... Talvez o pouco que se saiba nada seja perante o mostrado no filme...
Quanta generosidade desta família e desta namorada, quanto amor e afeto deste diretor amigo e corajoso que se lançou nesta empreitada e, tenho certeza, sai dela muito maior e mais íntegro do que já mostrava ser!
Que maneira simples, bela e afetuosa de dizer: Gabriel, nós amamos você!!!
Ficha Técnica:
Direção: Fellipe Barbosa
Elenco: João Pedro Zappa, Caroline Abras, Leonard Siampala mais
Gêneros Aventura, Drama
Nacionalidades Brasil, França
Serviço:
Em cartaz nos cines:
Cinépolis Bela Vista, Espaço Itaú Glauber Rocha, Sala de Arte Cine Passeo e Cinema do Museu
Em Tempo : Lançado hoje semana o livro. Gabriel, as Montanhas e o Mundo (Autografia Editora), da jornalista Alícia Uchôa e de Fátima Chaves de Melo Buchmann, mãe do economista, é um conjunto de “causos” de viagens, histórias e impressões registradas – com destaque para a sua volta ao mundo -, em e-mails e mensagens trocadas com a família, amigos e a namorada. Imperdível!
Serviço:
GABRIEL, AS MONTANHAS E O MUNDO
Editora: Autografia
Autora: Alícia Uchôa e Fátima Chaves de Melo Buchmann
Páginas: 260
Formato: 16x 23 cm
Preço: R$ 59,00

segunda-feira, 16 de outubro de 2017


BLADE RUNNER 2049



A ansiedade foi grande e talvez p medo ainda maior ... O que seria do BLADE 35 anos depois??? Era a terrível dúvida... Foi duro aguardar e conter a ansiedade, mas valeu a pena ... e como valeu ... Não poderíamos ter melhor e mais acertada direção do que a do cuidadoso e talentoso Denis Villeneuve(um desafio vencido com gloria) que já nos brindou com pérolas (Incêndios, Sicário, A Chegada, dentre outros ...)e se mostra hoje como grande nome na direção ... Mexer em time que tá ganhando não é fácil... E, em se tratando do cultuado Blade Runner de 82 poderia ser um tiro no pé... Não foi, vejo aqui a redenção ... Sem exagero consegue superar o cult! Roteiro primoroso, fotografia espetacular (tá na hora de premiar o Roger Deakins, 13 indicações e nenhum prêmio ...) e trilha sonora perceptivelmente inspirara no Vangelis( um achado e momento de rara inspiração do Hans Zimmer que apostou na inspiração em Vangelis)... Cenografia escandalosa que soube fazer a transição sem descaraterizar uma Los Angeles 35 anos depois ... O filme é longo e envolvente ... Ver Harrison Ford de volta é outro achado ... Elvis Presley, Marilyn Monroe e Frank Sinatra também estão por lá numa sacada de mestre ... Bem, não cabe aqui falar da história ... Não é um filme fácil de ação previsível e pancadaria ... É lento, poético, visionário e sedutor e em suas quase 3 horas faz uso de cada segundo de maneira exemplar, nada que está ali soa como excesso ou dispensável ... Muito pelo contrário, é vital para o entendimento ! Se em 82 Blade foi esnobado e injustiçado para depois ser reconhecido é cultuado, com o 2049 isso não acontecerá ... Ele já nasce cult e sopro de vida e renovação a ficção científica, ultimamente tão repetida à exaustão ... É pra ver e rever e sair feliz! FILMAÇO !!!!




ENTRE IRMÃS


Adaptação do livro A COSTUREIRA E O CANGACEIRO tem roteiro de Patricia Andrade e direção de Breno Silveira, que já nos deu 2 Filhos de Francisco, Gonzaga-De pai pra Filho, A Beira do Caminho, Era Uma vez, dentre outros. Seguindo a linha de sua filmografia, temos aqui mais um drama de forte apelo emocional, que como ele mesmo admite, são construídos para fazer tocar, emocionar e... chorar.
A adaptação de Patricia nos chega com algumas licenças poéticas e inclusive alguns acréscimos. Claro que se trata da história de Lampião, que em momento algum é mencionado, assim como também outros personagem do panorama sócio-politico da época... um detalhe...
Gravado no sertão pernambucano e com um trio de atrizes de luxo: Marjorie Estiano, Nanda Costa e Cyria Coentro, Breno nos brinda com um belo e redondo filme, onde o mérito maior é a construção de personagens e sobretudo, uma rara oportunidade de termos uma forte presença feminina, uma vez clara a evidencia do brilho e importância da protagonista visceralmente vivida por Marjorie Estiano que aqui nos mostra porque é uma das grandes atrizes desta nova geração.
Com pulso firme, mas não menos terno, Breno nos brinda com um filme relativamente longo para os padrões nacionais, são 2 horas e 40 minutos que apesar de não enfadonhos, mas para não acostumados talvez arrastado, o que a mim não incomodou.
O romance da autora pernanbucana criada em Miami Frances de Pontes Peebles conta um pouco da saga do gangaço a sua maniera e com todas as misturas a que tem direito e, obviamente com um viés feminino, grande mérito. A historia das duas irmãs separadas é contada em paralelo é de uma beleza e de um drama em igual medida que nos arrebata e emociona. O trabalho das atrizes é de uma veracidade e de uma beleza singular. Cyria, uma gigante em cena, é responsável pelo pilar das três na primeira hora de projeção, em seguida o que vemos são duas histórias em paralelo com suas coincidências, suas semelhanças e seus carmas.
Com uma reconstituição de época primorosa, uma trilha sonora lacrimosa e uma fotografia espetacular(a aridez do sertão impressiona), não tem como não se emocionar... Não é de apelo gratuito e desnecessário, mas arrebata e engole os mais sensíveis e certamente ha de dividir opiniões.
Muito bom e gratificante ver a atuação de atores bahianos, a exemplo de Jussara Mathias, que aos poucos vem pavimentando seu caminho no cinema em pequenas participações e Rita Assemany que longe dos palcos, nos deixa aqui com saudade dos bons e velhos tempos em que nos brindava com grandes e antológicas pérolas...
O grande pecado da narrativa do Breno é ser muito redondinha, chegando a beira do didático onde tudo é muito explicado e concluso, poderíamos aqui ter uma bela e tocante obra aberta e quem sabe mais coesa e sedimentada, em sendo assim os comentários e comparações com as novelas globais serão inevitáveis, o que de forma alguma lhe desmerece os méritos. Ainda não temos aqui sua obra prima, mas certamente um grande filme onde soubee aproveitar e enaltecer o talento de grandes atrizes, num quadrado tão dominado por atores. Ponto para este grande achado!
Cyria Coentro, impressionado com mais essa bela e tocante atuação... Marjorie Estiano, cada vez mais surpreendido com a visceralidade que você impõe em tuas atuações, Jussara Mathias feliz, muito feliz por te ver na tela grande, Rita Assemany, saudades, muitas saudades de você nos palcos...
Serviço:
Direção: Breno Silveira
Roteiro: Patrícia Andrade
Elenco: Nanda Costa , Marjorie Estiano , Júlio Machado , Rômulo Estrela , Letícia Colin , Cyria Coentro , Claudio Jaborandy
Em cartaz: Salvador Shopping, Bela Vista, Espaço Itau Glauber Rocha, Sala de Arte Passeo, Cinema da UFBA

terça-feira, 5 de setembro de 2017


UMA MULHER FANTÁSTICA
Nas primeiras cenas de UMA MULHER FANTÁSTICA, a bela e cultuada canção de Alan Parson Project TIME é moldura para um momento de amor e cumplicidade numa dança a meia luz e já nos da uma dica do vem por ai... A letra nos fala muito...
Marina é trans, vive uma vida de dureza trabalhando como garçonete durante o dia e a noite canta num bar... Ali realiza seu sonho de ser cantora... Sua vida começa a mudar quando seu namorado passa mal e vem a óbito... A partir de então tudo vira de ponta a cabeça....
O chileno Sebastián Lelio com sensibilidade vai nos contar a mudança na vida de Marina em meio a um sofrimento e uma quase aceitação de comover... Marina é trans, o namorado é separado, a família dele não a aceita e a humilha quando pode,, os amigos convivem com a situação. De maneira sutil e sábia Leilo aborda a situação desta relação em meio a uma sociedade conservadora e preconceituosa, não só em relação a questão de gênero, mas também o preconceito com relação a idade, Marina tem idade de ser filha do namorado... A narrativa é construída com foco quase que exclusivo em Marina, nenhum personagem alem dela tem um histórico de vida ou uma participação mais efetiva que ela, até mesmo do namorado sabemos muito pouco ou quase nada, talvez ai o maior achado do filme, esta concentração na sua dor, nos limites que lhe são impostos. A ela tudo lhe é negado ou subtraído, inclusive o direito de viver e de sentir a própria dor.
Daniele Vega é um achado, compõe um personagem de força singular no olhar, atitudes comedidas e finas e gestual elaborado, rouba portanto a cena e faz jus ao título nos fazendo pensar e questionar um conflito tão atual e instigante.
Há pouco vimos a produção brasileira estrelada por Carolina Ferraz A GLORIA E A GRAÇA que passou meio que imperceptível, um belo e bem elaborado trabalho de Flávio Ramos Tambellini, sem qualquer sinal de estereótipos e uma bela e elogiada composição de personagem soberb amente defendida por Ferraz.

Data de lançamento 7 de setembro de 2017 (1h 44min)
Direção: Sebastián Lelio
Elenco: Daniela Vega, Francisco Reyes, Luis Gnecco mais
Gênero Drama
Nacionalidades Chile, Alemanha, Espanha, EUA

sexta-feira, 1 de setembro de 2017



ATÔMICA
... É um daqueles filmes que você aguarda com expectativa e acaba por te surpreender superando as expectativas... Projeto ambicioso de Charlize Theron, que não poupou  esforços, inclusive físicos, e que de tão redondinho e esteticamente bem construído, entra desde já para a galeria dos melhores filmes  de ação, seja lá com protagonista feminino ou não... Em tempos de empoderamento feminino é um verdadeiro hino, uma ode ao poder das mulheres, friso aqui, em todos os sentidos, subvertendo até o velho clichê romântico, numa bela tacada de inovação, é pura injeção de ar novo numa formatação tão engessada e tradicionalmente previsível... Sinal dos tempos...
Bem, a história pode não ter muito de criatividade: Agente parte em missão (frise-se, sozinha) em uma Berlin pré-queda do muro, presumidamente aguardada por um possível parceiro e entra na vibe de nada é o que parece ser... Ficamos aqui para não estragar as surpresas...
A cena inicial já resume a mensagem  e nos diz a que o filme veio... Numa bela e bem enquadrada cena, uma Charlize detonada banha-se numa banheira, mergulhada num azul eletrizante... Seguindo a tese  de humanização dos heróis (inas). Mocinhos(as) o que vemos é uma protagonista machucada, muito machucada... Corpo coberto por hematomas e olho roxo, são apenas alguns sinais do sofrimento vivido, e ainda assim muito bela...  Apoiado numa trilha sonora sensacional e, desde já candidata a cult pelos saudosistas daquela década o filme tem inicio com uma sucessão de lutas e confrontos coreografas de uma precisão e elegância pouco vista e com um detalhe que faz toda a diferença: Charlize dá e recebe porrada dispensando dublê... É pouco ou quer mais??? Atuação que lhe custou problemas graves nos  joelhos, costelas e dentes...
A grande sacada do filme é exatamente se apropriar de um tema batido e através de um roteiro bem construído, dá-lhe nova roupagem, faze-lo inteligente e, sobretudo interessante...
James Mcavoy que já nos tinha brindado com uma surpreendente composição de personagem em FRAGMENTADO, continua aqui a nos mostrar porque é um dos maiores e melhores de sua geração.. Iniciando as gravações ainda machucado por conta de complicações em FRAGMENTADO faz uma dobradinha (de boas atuações) com a Charlize, nos reservando momentos eletrizantes e geniais...
Dirigido com pulso forte por David Leitch, que deu uma mexida substancial na história original, alongando e coreografando as lutas, que são o ponto alto do filme, coroando com a participação da Charlize sem dublê,  injetando maior dinamismo e emoldurando por belas e emblemáticas canções dos anos 70... Um primor. Há momentos que o filme vira uma sucessão de vídeo-clips bem montados  e dinâmicos... Outro achado, impossível não falar:  são as belas e sensuais cenas protagonizadas por Charlize e  Sofia Boutella (A MÚMIA), um grande diferencial do filme, principalmente em tempos  de intolerância...  aqui,  sutilmente e com rara beleza, a narrativa deixa para trás, sem maiores alardes um conservadorismo há muito ultrapassado...
É uma narrativa veloz, onde a tônica é a violência, muita porrada e muito tiro, que equilibrando-se com a musica e a beleza da protagonista acabam por se equilibrar nos dando uma deliciosa e bela diversão.
FICHA TÉCNICA
Título original: Atomic blonde
Distribuição: Universal
Data de estreia:  qui, 31/08/17
País:  Estados Unidos
Gênero:  ação
Ano de produção:  2016
Duração: 115 minutos
Direção: David Leitch
Elenco: Sofia Boutella,  Charlize Theron, James McAvoy